Arara da VGX – Histórico do Contato

Ehrenreich (1891) mencionou que os neobrasileiros chamavam esses pequenos grupos, em suas aparições, de Araras e, sem prova disso, foram considerados idênticos a seus homônimos na região do rio Madeira e igual aos Yuma que viviam no tributário da margem direita do rio Purus. O mesmo autor ainda acrescenta que os Juruna diziam que eles viviam nos tributários da margem direita do rio Xingu, e seus deslocamentos eram motivados pelo avanço dos Kayapó. Os anos seguintes, foram anos de encontro com os soldados da borracha, época que somavam 343 pessoas, segundo dados do pesquisador, sem contar com as crianças. É possível que essas perseguições os tenham empurrado para o centro da floresta e em número cada vez menor. Não se encontrou outros dados populacionais, contudo, Leôncio (65) e Ananum (73), dizem que os grupos eram pequenos e que nunca foram em grande número.

Nimuendaju (1948) relata que os Arara foram vistos pela primeira vez no “(…) baixo Xingu no ano de 1853 e em seguida sumiram na mata (…) eram populações de dentro e não da beira dos rios(…)”.Nos relatos de Leôncio e Ananum, os mesmos falam de seu grupo ser constituído de pequenas famílias. O grupo que fez o deslocamento do igarapé Sucuriju para o rio Xingu, é pequeno e constituído de avós, pais, filhos, tios e tias, todos descendentes de duas irmãs Tjelj e Tintim Arara.

O deslocamento das primeiras famílias Arara que deram origem ao grupo de Leôncio Arara ocorreu do rio Bacajá para o rio Xingu em meados do século XIX. O mais antigo Arara, tio avô de Leôncio, hoje falecido, informou em 2004 que sua avó Tjeli (yarunu) e Teodora, sua mãe, saíram de um lugar chamado Morro Pelado, no rio Bacajá, desceram esse rio em ubás até o rio Xingu, parando no lugar conhecido como Barra do Vento – ilha hoje conhecida com o mesmo nome.

Ananum recorda que os antigos contavam que a permanência nesta ilha foi curta, visto que seringueiros que habitavam o lugar fizeram com que seguissem viagem, aonde chegaram até a localidade denominada de Samaúma, no rio Xingu. As pedras que existem neste lugar possuem sinais, símbolos e marcaram a área, em suas lembranças. O local é um registro da ocupação, possivelmente, bem anterior à presença desses Araras.

Leôncio também narra esta história, mas da outra parte do grupo. Diz ele que o avô Pirá (Arara) e a avó Pipina (Juruna), pais de Firma sua mãe, se deslocaram da maloca que tinham na margem esquerda do Igarapé Sucuriju em direção ao rio Xingu. “No igarapé do Sucuriju e igarapé Queiroz, abaixo do Potikrô, foi à maloca dos velhos, eles desceram em direção ao rio Xingu e se estabeleceram no Chico Tintim perto da Maloca do Muratu”, [mencionado na relação de Coudreau como um dos lideres de 18 malocas Juruna], o qual “vivia num lugar chamado por eles de Muratá, conhecido hoje como Deserto (…), o grupo de Pirá ficou abaixo do Deserto”. Essa viagem foi compartilhada por índios Arara e Juruna. Nesta região, terra firme e ilhas foram ocupadas dando início a uma nova organização política e sociocultural.